
Comparativo
Extrato OFX, Open Finance ou API do banco: qual usar
As três formas de trazer o extrato para dentro do sistema, com o que cada uma entrega de campo, de atraso e de trabalho manual...
Guia prático
Conciliar Pix não é abrir o extrato e ir marcando linha por linha até bater. É montar uma rotina com ordem definida, para que só a exceção chegue até você.
Conferir Pix não é apenas localizar um crédito no extrato e marcar um pedido como pago. Um processo bem definido separa recebimentos confirmados, divergências e pendências para que o financeiro, a cobrança e a contabilidade trabalhem com a mesma informação.
Na rotina de uma distribuidora, três atividades costumam receber o mesmo nome, mas têm objetivos diferentes. Confundi-las é uma das razões para pedidos baixados indevidamente e saldo bancário que não bate com o ERP.
| Atividade | O que compara | Resultado esperado |
|---|---|---|
| Conciliação bancária de Pix | Extrato bancário e registros internos | Identificar cada crédito, débito e diferença no banco |
| Conciliação de recebíveis | Valores esperados de clientes e valores recebidos | Saber o que foi pago, pago parcialmente ou continua em aberto |
| Baixa de título no ERP | Título financeiro e liquidação registrada | Atualizar a conta a receber do cliente no sistema |
A conciliação bancária de Pix começa pelo que entrou de fato na conta. Já a conciliação de recebimentos da distribuidora pergunta a que pedido, cliente ou título aquele valor se refere. A baixa no ERP só deve ocorrer quando houver evidência suficiente para vincular o recebimento ao título correto.
Para aprofundar: OFX, Open Finance ou API do banco.
Na prática, o banco pode mostrar um Pix de R$ 1.850,00, enquanto o ERP tem dois pedidos em aberto de R$ 900,00 e R$ 950,00. O crédito está conciliado com o banco, mas ainda precisa ser conciliado com os recebíveis antes da baixa dos dois títulos.
O método funciona melhor quando a conferência é diária e tem uma fonte definida para cada lado. Não misture extratos de contas diferentes, vendas em dinheiro, boletos e Pix na mesma aba sem identificação.
Separe, para cada dia, os seguintes dados:
Uma planilha de conciliação bancária pode ser suficiente no início, desde que tenha colunas para status, responsável, data da conferência e observação. O erro é usá-la como um bloco de anotações soltas, sem regra para decidir o que será baixado, o que ficará pendente e quem deve responder.
A rotina consome esforço proporcional ao volume de créditos e, principalmente, ao número de exceções. Depois da limpeza inicial dos pendentes antigos, o trabalho diário tende a ficar mais simples se cada pessoa seguir a mesma ordem de análise.
A pressa para fechar o pedido leva muitas equipes a pesquisar primeiro o nome de quem pagou. Isso falha quando o titular da conta é diferente do cliente, quando um familiar paga ou quando um entregador centraliza pagamentos.
Use esta sequência. Ela reduz associações por suposição e torna a conferência repetível por outra pessoa.
Compare o crédito do Pix com títulos em aberto de mesmo valor. Se houver apenas um título compatível e os demais sinais confirmarem a operação, encaminhe para baixa.
Se existirem vários pedidos com o mesmo valor, não decida apenas por esse critério. Marque como possível correspondência e siga para a próxima etapa.
Observe o horário do Pix e o momento da venda, da entrega ou do contato de cobrança. Um pagamento recebido logo após a entrega pode ajudar a distinguir pedidos idênticos feitos para o mesmo cliente.
A janela de horário é evidência complementar, não prova isolada. Um cliente pode pagar uma compra antiga no fim do dia ou antecipar o pagamento de uma entrega futura.
Alguns Pix trazem mensagem, identificação do pagador ou referência digitada por quem enviou. Verifique se há número de pedido, nome da empresa, apelido da loja ou outra informação que faça sentido.
Também confirme se o crédito entrou na chave e na conta da distribuidora. Isso evita tratar como recebimento da empresa uma transferência relacionada a conta pessoal, filial ou outra operação.
Só nesta etapa use o histórico: titular da conta, padrão de pagamento, vínculo com o cliente e vendedor responsável. Esse dado é útil para confirmar uma hipótese, mas não deve substituir valor, data e documentação.
Registre o motivo da associação quando o pagador não for o cadastro principal do cliente. Assim, quem fizer a próxima conferência não precisará redescobrir a relação.
Nem todo Pix corresponde a um único pedido. Forçar a baixa integral para “fechar” o relatório cria saldo falso e dificulta a cobrança posterior.
Se o cliente pagou menos que o título, baixe apenas o valor recebido, se o ERP permitir baixa parcial, e mantenha o saldo em aberto. Anote a razão informada, como falta de caixa, divergência na entrega ou desconto ainda não aprovado.
Se o sistema não trabalhar bem com baixa parcial, registre o Pix como recebimento identificado pendente de tratamento financeiro. Não altere o valor original da venda sem autorização e sem registro.
Quando um único Pix quita vários títulos, associe o crédito aos pedidos corretos e guarde a memória de cálculo. A soma dos títulos precisa ser igual ao valor recebido, salvo se houver desconto, juros ou arredondamento autorizado.
Uma forma de manter essa rotina sem planilha é a conciliação diária de Pix e pedidos do Batecerto.
Se faltar informação sobre quais pedidos foram pagos, deixe o crédito identificado pelo cliente, mas sem baixar títulos específicos. A cobrança ou o vendedor deve confirmar a composição.
Desconto comercial precisa ter responsável e justificativa. O financeiro não deve presumir que a diferença é desconto apenas porque o valor ficou próximo do pedido.
Registre quem autorizou, qual pedido foi afetado e se o desconto altera a condição comercial ou decorre de problema na entrega. Isso evita que descontos recorrentes sejam escondidos dentro da conciliação.
Devolução não é sinônimo de pagamento parcial. Ela pode exigir ajuste de estoque, documento fiscal aplicável e crédito ao cliente conforme a política da empresa.
Mantenha o Pix vinculado ao que foi efetivamente recebido e trate a devolução em fluxo próprio. Misturar os dois eventos pode deixar tanto o contas a receber quanto o estoque incorretos.
Quando o cliente paga mais do que o título, separe principal e juros. Confira se a cobrança de juros foi prevista e se o valor adicional deve ser registrado como receita financeira ou conforme a orientação contábil adotada pela empresa.
Não reduza outro título para absorver a diferença. O excesso precisa ter destino identificado no ERP e no fechamento.
A melhor saída para divergência não é escolher o pedido mais parecido. Crie duas filas claras, com responsável e prazo de retorno.
Entrada sem venda é um Pix que apareceu no banco, mas não encontrou pedido ou título com evidência suficiente. Pode ser pagamento antecipado, transferência entre contas, crédito de cliente não identificado ou recebimento ligado a negociação ainda não registrada.
Venda sem entrada é um pedido faturado, entregue ou informado como pago, mas cujo Pix não aparece na conta examinada. Pode haver atraso bancário, pagamento em outra conta, erro de informação no campo, venda a prazo ou simples falha de cobrança.
Leitura complementar: Pix sem identificação na conta PJ.
Em ambos os casos, registre data, valor, cliente possível, vendedor, pedido possível, motivo da pendência e próxima ação. Esse controle é mais seguro do que dar baixa provisória e esquecer de revisar depois.
No fim do dia, some os créditos Pix do extrato e divida o total entre recebimentos baixados, recebimentos identificados sem baixa e entradas ainda sem identificação. O resultado precisa explicar todo o movimento bancário do período.
Trave para revisão os casos com valor divergente, duplicidade de pedido, desconto sem autorização, devolução pendente, conta recebedora incorreta ou ausência de confirmação da entrega. Um item travado não é falha do processo, é uma pendência visível que ainda não deve virar baixa definitiva.
O pacote diário que deve ficar arquivado inclui:
Essa documentação ajuda o contador a entender a origem dos saldos, conferir lançamentos e orientar o tratamento de exceções. Também facilita auditorias internas e reduz a dependência de uma única pessoa que conhece “de memória” quem costuma pagar cada cliente.
Uma conciliação de recebimentos distribuidora confiável segue uma regra simples: primeiro confirme o que entrou no banco, depois associe o valor ao cliente e ao pedido, e só então faça a baixa. Quando não houver prova suficiente, mantenha a divergência registrada em vez de fabricar uma correspondência.
O Batecerto pode apoiar essa rotina ao comparar o que entrou na conta com o que foi registrado, entregando listas de entradas sem venda e vendas sem entrada com cliente, vendedor e diferença. Para avaliar se o fluxo se adapta à sua operação, peça uma demonstração.
Este conteúdo é assinado por Jimenez Julien, editor do Batecerto.
Definir o método na planilha é metade do caminho, a outra metade é repetir isso todo dia sem falhar. No Batecerto a ordem das conferências roda de madrugada e você abre o painel já com as duas listas prontas.
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Conte quantas contas a empresa tem hoje e como o time recebe na rua. Você recebe uma conciliação de demonstração feita com um dia real da sua operação, mesmo que decida não assinar.